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Crônica do Aguiar (uma crônica pós-moderna) 16/05/2009

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O Processo!

O prof. Aguiar, o buraco negro da sabedoria, encontrava-se sentado em sua confortável cadeira de balanço século XIV jacarandá, realizando, a pedido de uma editora tcheca, a revisão portuguesa  das obras: A Metamorfose e O Processo de seu malfadado amigo o advogado  Franz Kafka, amigo e colega de profissão, que conhecera em 1910 na cidade de Praga.

A campainha de sua casa começou a tocar, absorto em sua revisão o prof. Aguiar permaneceu incólume, os manuscritos pareciam um emaranhado de letras soltas- Era um trabalho que exigia muita concentração daquele munificente cérebro.

O som da campainha tornou-se mais insistente, acompanhado, agora, por uma buzina de automóvel e uma voz que grunhia por seu nome. Aqueles ruídos chegaram até seu subconsciente, então lentamente, passo a passo, foi até à porta e se deparou com um certo coordenador da SEDUC do terceiro escalão…Seu estado era lamentável!

A cor vermelha do governo Popular havia desaparecido de sua face. Sua tez estava pálida, suava aos píncaros, suas mãos tremiam parecia estar á beira de um ataque de nervos, como diria meu atual pupilo Pedro Almodovar.

Conduziu o desesperado coordenador até à sala de estar, onde sua maezinha lhe serviu um chá de capim santo com algumas gotas de Valeriana, acendeu um incenso de alfazema para harmonizar o ambiente e se prontificou a escutá-lo.

O coordenador com a voz ainda embargada confidenciou ao prof. Aguiar, que havia chegado de uma reunião onde fora acusado de violar a sacrossanta, perpétua e imutável hierarquia seduquiana e que havia assumido a culpa de algo que não fizera.

O Prof. Aguiar com sua voz pausada de monge lamaísta/cristão/ecumênico respondeu: “Estimado coordenador, compreendo toda a sua aflição, mas recomponha-se e escute este simples episódio por mim vivenciado, em 1955, quando chefiava um setor estratégico da minha  querida e amada SEDUC.

Eu era um funcionário exemplar, sendo que tinha um cargo de grande responsabilidade. Desempenhava minha função com muita dedicação, razão que me levou, em pouco tempo, a crescer na hierarquia Seduquiana.

Porém na manhã em que completaria 78 anos, fui surpreendido em meu próprio quarto por dois guardas, que tomaram o café que devia ter sido meu, e depois, me conduziram a corregedoria da SEDUC, por mim criada, para responder a um processo interno.

kafka

Neste momento teve início o meu pesadelo, fui destituído do cargo que ocupava sem ter feito mal algum. De principio, imaginava ser uma brincadeira de mau gosto de meus colegas da SEDUC, pois não podia acreditar no que estava acontecendo.

Pensava que todo o mal entendido seria esclarecido. Ao ser convocado para uma audiência com  meus pares vi a oportunidade de isto acontecer.

Estava errado! deparei-me com um interlocutor insensível, alheio a todos os benefícios prestado durante minha brilhante carreira seduquiana.

Contudo, continuava exigindo esclarecimentos, porém inutilmente, já que nem o Secretário, os adjuntos, os diretores, os coordenadores, os barnabés, os estafetas, os seguranças tercerizados  e muito menos os membros da ouvidoria seduquiana,como é de praxe, sabiam sobre o motivo de meu possível expurgo.

Apesar disso, lutei o tempo todo para descobrir do que estava sendo acusado, quem me acusava e com base em que Lei.

Tentei entrar em contato com  a gerência do arquivo morto , mas tive pouco sucesso, o que encontrei foram muitos processos, sendo o meu apenas mais um que ficaria esperando por muito tempo.

Percebendo a gravidade da situação resolvi me ausentar do labor por 72 horas, para recolher-me em minha casa e meditar sobre O Processo. Utilizei a meditação livre que não é conduzida por nenhum instrutor, nem se usa fitas gravadas com instruções, apenas o meditante se senta e deixa que os pensamentos fluam livremente, em silêncio.

Sua mãezinha, preocupada com a reclusão do prof. Aguair, lembrou-se de um ex-admirador secreto na SEDUC, conhecido como K, o qual obteve junto ao baixo clero seduquiano (que sempre sabe de tudo) a informação sobre o teor da acusação que pesava sobre seu filinho.

k

Sua mãe, de posse da cópia do processo, adentrou triunfalmente no quarto de Aguiar e pronunciou: “Eureca, meu filho, você é acusado de criar, sem autorização de seus superiores, o Núcleo de Combate a Burocracia – NCB”, e completou: “agora, como brilhante jurista que você é,  já pode se defender”.

O Prof. Aguiar pensou com seus botões: “O NCB não foi criado no governo do Excelentíssimo Sr. Coronel Barata?” Arrematando seu pensamento murmurou com desdém: “há pessoas que não gostam de mim na repartição!”

barata

Coronel Barata

Com essa informação pude então provar aos meus superiores minha inocência. Desta forma, por frações de segundos evitei a aposentadoria compulsória.

Caro Coordenador, revelarei a você o terceiro segredo seduquiano: Nunca admita o seu erro!

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